domingo, 17 de abril de 2011

Sobre o entendimento (2)

Rio de Janeiro, 13 de Abril de 2011.

A primeira sobre o entendimento é esta.

Eu prefiro escolher com precisão minhas palavras para, assim, com precisão, compor minha comunicação. Vejamos, então, quanto êxito eu logro neste intento de fazer saber, a quem interessar possa, o que eu penso ou sinto, e sigamos o mote ao pé da letra. Comecemos pelo signo do AMIGO.

Certa feita, num outro momento da vida, recebi duma amiga um cartão lindo que, entre outras coisas de mesma beleza, falava sobre a importância de saber receber o amor que se lhe oferece. Corro o risco de haver perdido o cartão, apesar da intenção de para sempre guardá-lo, depois de tantas mudanças de domicílio, até de estado federado e de tantas outras coisas na vida. Ainda não sei, posso ter perdido o cartão, mas nunca o sentimento contido nas palavras de minha amiga.

Muito bem: mais do que uma frase de efeito, venho tendo ao longo da vida a oportunidade de experimentar e constatar quão importante é receber e aceitar o amor que se nos é oferecido por quem há a nossa volta; percebê-lo no quotidiano é muito menos trivial do que manifestá-lo explicitamente. Felizmente "a vida cria" ou - eu diria, simplesmente - há a realização da experiência em que o amor gratuito seja a única trivialidade imediatamente apreensível.

(Eu me repito muitas vezes neste texto. Vou seguir me repetindo.)

A lição sobre a importância de se perceber (palavra minha) e aceitar o amor que se lhe é oferecido eu devo à minha amiga Mina Kato. O encontro recente que me fez experimentá-lo eu devo à minha amiga Lysa, que me recebeu em sua casa. E esta carta eu dedico ao meu amigo Mateo, seu filho, que interrompeu seu dever-de-casa para vir até a porta e me dar um forte, longo e franco abraço de boas-vindas.

Lembre-se, neste texto, quando ler "amigo", da importância que atribuo à precisão na escolha das palavras. Por ora, que nos baste aquele signo, e deixemos os demais para outras cartas.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Devaneios

De repente bateu uma vontade louca
De montar uma fábrica de esperma
Mas 'inda que alguém suporte uma gozada eterna
Toda sua produção se faria pouca

Quem de vós se propões a tal feito?
Vale a pena salientar a recompensa:
Grana, fama, orgasmo, prole extensa...
Tesão de vida, hein? Quão perfeito!

Mas, não podeis esquecer o macete:
A excitação tem que ser constante
Pois deve estar sempre ereto, o cacete

E não fazeis dos vossos membros vareta
É ruim tratá-los como objetos
Pode cansá-los de tanta punheta!

NOTA: Este é o poema que deu origem aos "Devaneios". Foi escrito entre 1991 e 1992, quando então estudante da saudosa ETFBA (quando éramos felizes e eu sabia). Eu não tenho mais cópia em papel, mas foi dos poucos que guardei de cor. Relevem qualquer coisa, eu tinha 16 anos. :-)

quinta-feira, 31 de março de 2011

A Lanterna (II)

A pouca luz da Lanterna não excede uns poucos metros através da Penumbra, muito aquém donde a vista pode alcançar quando há luz. Umas tantas casas justapostas em declive contornam o estreito caminho até aquela que se chama "o buraco" por razões alheias a qualquer questionamentos. Antes, porém, o coche sobe por arruamentos também traçados ao sabor do pouso dos colonos e suas casas. É um caminho que parecia bem mais longo, por cuja razão seu fim foi de grato contento.

A penumbra é espessa o suficiente para conter a luz que jaz dentro da casa cavitante, o que ainda foge ao conhecimento do Andarilho e sua fraca lanterna. É sabido - por quem convém sabê-lo e mais ninguém - que segue o Andarilho através da Penumbra a fim, unicamente, de presentear a quem não sabe o Residente, talvez também o Visitante, se houver um, mas segue indefinidamente.

Num futuro próximo, havia o Andarilho de lembrar-se saudoso desse dia; não do que está por se suceder nesta casa, mas no que virá depois. O que gostaria se acontecesse não pôde se estender além do seu próprio pensamento.

(Continua)

sábado, 12 de março de 2011

Rascunho de Flores Rotas


Rota flor encaminhada
A porta desconhecida
Singela, mal desenhada,
Encabulada, contida

Rota flor, desenganada
Como uma causa perdida
Jaz ainda bem guardada
Rota, embrulhada, esquecida

Toma esta flor, assim, rota
Dá-lhe solo, luz e água,
Tudo que for preciso

E faz sonhar o florista
Com muitas flores a dar-te
Colhidas no paraíso.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Espelho no Fim do Dia (I)

Hoje não haverá uma próxima vez
E quanto mais durar a espera
Tanto maior será a perda

O limite não é um céu crepuscular
Nascer é o início de um caminho sem volta.




(Poema da adolescência. Veja a segunda parte.)

domingo, 6 de fevereiro de 2011

O Maior Sabonete Reciclado do Mundo

Eu tenho pele seca, mas não costumo usar hidratante. Outrossim, tomo vários banhos por dia, o que me levou a escolher Dove como sabonete de uso regular, de forma que eu lave meu corpo e proveja alguma hidratação à minha pele. Isso é o preâmbulo.

Há uns anos, fui apresentado a um sabonete reciclado feito pela mãe de um amigo, quando ainda em Salvador. A imagem do sabonete multicolorido não me deixou mais, além de abrir ad aeternum o portal para uma nova dimensão no mundo das idéias (das minhas, claro).

Passados longos anos, resolvi, em 2009, iniciar a minha própria reciclagem de sabonetes, com a vantagem de ter o hábito consolidado de uso regular de uma marca específica de sabonete. Na medida em que iam minguando, minguando, até ficar difícil esfregar o corpo, guardava os sabonetes usados numa vasilha para a futura reciclagem. O negócio é que eu fui tomando gosto, acumulando cotocos de Dove, e o objetivo foi ganhando dimensão.

Hoje, contando 38 restos de sabonete Dove, já penso, quando eu levar a cabo meu projeto de reciclagem, irei para o Guinness pelo maior sabonete reciclado do mundo! A ver.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Trilogia da Loucura*

- Triologia da Loucura*(asterisco!). Um filme com três emocionantes histórias, das quais só duas têm a ver.

Na primeira história, um adolescente passa a reagir estranhamente quando contrariado por sua mãe, desferindo-lhe tapas e ponta-pés. Desesperada, a mulher vive a saga de tentar internar o filho no hospício.

Na segunda história, um homem de meia-idade muda drasticamente seus valores materiais depois de descobrir o adultério da esposa. Desvariado, o homem rasga seu ordenado na frente da mulher, que então corre contra o tempo tentando internar o homem no hospício.

Na terceira história, um menino adquire estranhos hábitos alimentares, para a repulsa de todos, que fazem um abaixo-assinado para tentar internar o menino no hospício.

- Trilogia da Loucura*(asterisco!).

O asterisco é porque bater na mãe não é caso de internação, mas sim de excomunhão. Só os outros dois casos são loucura, o resto é gaiatice ou descaramento. O problema é que o menino não é nem batizado...

- Trilogia da Loucura*(asterisco!). Breve, nos cinemas*.