A neomúsica nilótica
A perfeição e a zona afótica
As chamas e a alma trépida
O perfume e as vestes fétidas
As curvas e a face exótica
A atitude hipócrita
A constituição rústica
A qualidade acústica
As análises insólitas
As várias óticas sórdidas
As fantasias impudicas
Sorriso e palavras lúdicas
A verdade encoberta
Aporta entre-aberta
A chance remota
A ausência de porta
As angústias, as maravilhas
As chamas isolando a ilha
A solidão, a partilha
Sem que uma das partes
Fuja da família
Ou, talvez muda, quase morta
Você se esconda atrás da porta.
Nota: este poema data do segundo semestre de 1991 e é a letra duma canção cujos acordes custei a lembrar-me. A pompa do título arrefece-se com a singeleza da melodia. A Gabriela Garcia.
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domingo, 5 de junho de 2011
quinta-feira, 7 de abril de 2011
Devaneios
De repente bateu uma vontade louca
De montar uma fábrica de esperma
Mas 'inda que alguém suporte uma gozada eterna
Toda sua produção se faria pouca
Quem de vós se propões a tal feito?
Vale a pena salientar a recompensa:
Grana, fama, orgasmo, prole extensa...
Tesão de vida, hein? Quão perfeito!
Mas, não podeis esquecer o macete:
A excitação tem que ser constante
Pois deve estar sempre ereto, o cacete
E não fazeis dos vossos membros vareta
É ruim tratá-los como objetos
Pode cansá-los de tanta punheta!
NOTA: Este é o poema que deu origem aos "Devaneios". Foi escrito entre 1991 e 1992, quando então estudante da saudosa ETFBA (quando éramos felizes e eu sabia). Eu não tenho mais cópia em papel, mas foi dos poucos que guardei de cor. Relevem qualquer coisa, eu tinha 16 anos. :-)
De montar uma fábrica de esperma
Mas 'inda que alguém suporte uma gozada eterna
Toda sua produção se faria pouca
Quem de vós se propões a tal feito?
Vale a pena salientar a recompensa:
Grana, fama, orgasmo, prole extensa...
Tesão de vida, hein? Quão perfeito!
Mas, não podeis esquecer o macete:
A excitação tem que ser constante
Pois deve estar sempre ereto, o cacete
E não fazeis dos vossos membros vareta
É ruim tratá-los como objetos
Pode cansá-los de tanta punheta!
NOTA: Este é o poema que deu origem aos "Devaneios". Foi escrito entre 1991 e 1992, quando então estudante da saudosa ETFBA (quando éramos felizes e eu sabia). Eu não tenho mais cópia em papel, mas foi dos poucos que guardei de cor. Relevem qualquer coisa, eu tinha 16 anos. :-)
sábado, 12 de março de 2011
Rascunho de Flores Rotas

Rota flor encaminhada
A porta desconhecida
Singela, mal desenhada,
Encabulada, contida
Rota flor, desenganada
Como uma causa perdida
Jaz ainda bem guardada
Rota, embrulhada, esquecida
Toma esta flor, assim, rota
Dá-lhe solo, luz e água,
Tudo que for preciso
E faz sonhar o florista
Com muitas flores a dar-te
Colhidas no paraíso.
sábado, 19 de fevereiro de 2011
Espelho no Fim do Dia (I)
Hoje não haverá uma próxima vez
E quanto mais durar a espera
Tanto maior será a perda
O limite não é um céu crepuscular
Nascer é o início de um caminho sem volta.
(Poema da adolescência. Veja a segunda parte.)
E quanto mais durar a espera
Tanto maior será a perda
O limite não é um céu crepuscular
Nascer é o início de um caminho sem volta.
(Poema da adolescência. Veja a segunda parte.)
sábado, 9 de outubro de 2010
Jeremias
É um fenômeno de si mesmo
Advento a realidade
Nos meandros de um firmamento
A servideira nocidade
Advento a realidade
Nos meandros de um firmamento
A servideira nocidade
terça-feira, 7 de setembro de 2010
Espelho no Fim do Dia (II)
Ontem, o Sol se foi
Hoje, o Sol se vai
E amanhã, se irá
Mas o ocorrido hoje
Só houve hoje
E hoje o Sol se vai
Pra não mais voltar
O ir e vir dos dias faz pensar
Que os dias sempre são iguais
Mas se existe fato, o tempo passa
E, a cada dia
O Sol está um dia mais velho.
Hoje, o Sol se vai
E amanhã, se irá
Mas o ocorrido hoje
Só houve hoje
E hoje o Sol se vai
Pra não mais voltar
O ir e vir dos dias faz pensar
Que os dias sempre são iguais
Mas se existe fato, o tempo passa
E, a cada dia
O Sol está um dia mais velho.
domingo, 26 de abril de 2009
O Salto
A ausência constante
A luz, o nada, a parede fria
Os olhos parados, calados
À espera do fim do dia
E a luz se apaga
E o mundo dorme
E o calor dá lugar à ventania
E quando o silêncio
Alcançar o pico mais alto
Talvez seja o momento exato
De precipitar-se ao salto...
Por Eduardo Campos, Eduardo Rossiter, eu e Leonardo Campos.
Salvador, entre 1991 e 1992.
A luz, o nada, a parede fria
Os olhos parados, calados
À espera do fim do dia
E a luz se apaga
E o mundo dorme
E o calor dá lugar à ventania
E quando o silêncio
Alcançar o pico mais alto
Talvez seja o momento exato
De precipitar-se ao salto...
Por Eduardo Campos, Eduardo Rossiter, eu e Leonardo Campos.
Salvador, entre 1991 e 1992.
domingo, 18 de janeiro de 2009
Ao Obelisco
Emerge sob a chuva
Um Obelisco cor-de-brasa
Qual pardez, sua candura
Qual beleza, sua casa
Floresce sob a chuva
Cresce e se agiganta
Em verdade, a flor madura
Guarda, abraça, acalanta
O fosso, o passo, encurta
A força, o salto, amplia
E o dia, por fim, é pleno
Sob a chuva, o Obelisco
Repousa, lindo e sereno
E torna pleno este dia.
(Salvador, 08 de abril de 2000.)
Um Obelisco cor-de-brasa
Qual pardez, sua candura
Qual beleza, sua casa
Floresce sob a chuva
Cresce e se agiganta
Em verdade, a flor madura
Guarda, abraça, acalanta
O fosso, o passo, encurta
A força, o salto, amplia
E o dia, por fim, é pleno
Sob a chuva, o Obelisco
Repousa, lindo e sereno
E torna pleno este dia.
(Salvador, 08 de abril de 2000.)
domingo, 7 de setembro de 2008
A Metafórica história de uma rosa
A Metafórica história de uma rosa
Os espinhos da rosa tornaram-se sangue.
E a rosa viu sua maldadeE brotou com ar maldoso
E sentiu medo da morte .
Mas viveu.
E sobreviveu ao corte de suas pétalas,
E continuou presa a seus espinhos.
Se o mundo tá sempre acabando,
Poderia evitar o meu fim?
Essa é a minha metáfora,disse a rosa
Com sangue nos olhos, verdes de tristeza;
Eu descobri a minha beleza!
E um dia alguém me disse:
Seu colorido é psicodélico
E seus espinhos; seu arsenal bélico,
São mais fortes que canhões.
Só irei até aqui,
Não me pergunte por quê
Porque eu morri!
FRED
24/12/89
Nota: O poema acima data realmente de 24 de dezembro de 1989 e fora-me enviado por Dna. Assunção, mãe de minha amiga Annelise, que o vem guardando por quase 20 anos. A Dna. Assunção, meus muitos e efusivos agradecimentos. A foto é de janeiro ou fevereiro de 2000.
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